Luto: Santa Maria, RS

Vamos lá. Alvará vencido desde agosto, por que a prefeitura da cidade não fechou a boate? Porta de segurança trancada, onde estava a fiscalização constante do Corpo de Bombeiros na cidade? Seguranças cobrando por alguns minutos depois do início do incêndio o cartão de consumação, onde está o treinamento desse pessoal que, em tese, é fiscalizado pela Polícia Federal?

A resposta a todas essas perguntas está na clássica ineficiência da máquina pública, nos três níveis, do Brasil. A prefeitura não tem estrutura para - ou não quer -  fechar o estabelecimento, por que se preocupar em renovar o alvará de funcionamento? Os Bombeiros  -governo estadual - avisam que tem que colocar isso e aquilo, mas não vão fazer valer a lei mesmo, porque construir uma porta maior? A Polícia Federal - União - opera burocraticamente na fiscalização das empresas de segurança, basta cumprir as formalidades e tudo certo, por que treinar adequadamente os seguranças e estabelecer protocolos para crises?

Juntados estes três elementos, bastou uma fagulha, literal, no caso, para um incêndio ceifar a vida de 235 futuros médicos, engenheiros, juízes, psicólogos, etc como bem tuitou o Thomas Traumann

Achar-se-á um culpado - ou alguns. Podem ser: o dono da boate que não cumpriu a legislação; o vocalista da banda que teve a lamentável idéia de usar fogos de artifício em um ambiente fechado; ou um ou dois seguranças que, no início, incapazes de se dar conta da dimensão do problema, tentaram impedir a saída das primeiras vítimas. 

Criar-se-á novas e estritas regras para a construção e manutenção de espaços privados de lazer público. As portas deverão ser maiores; os seguranças deverão ser melhor treinados e o cartão de consumação deverá ser abolido. Regras, estamentos e leis que não serão, com o tempo, implementadas corretamente, e anunciarão a próxima tragédia. 

E Pindorama segue, tranqüila e plácida, rumo ao futuro.